Control+C control+V

Seguinte, é mais ou menos assim que a minha vida anda.
Valeu Mia. E Ela sempre entende. Aconteceu de nós duas passarmosp ela mesma coisa:

"Quando penso naquela maldita frase de Saint-Exupéry dá vontade de esganar a primeira pessoa que passar na minha frente. Se dizem a verdade sobre o pensamento positivo acho bom que ele comece a surtir efeiro a partir de amanhã, porque com cem mil macacos a corna da Pollyanna não poderia estar mais errada. Preciso que dê certo. Preciso que alguma coisa boa aconteça. Preciso. Com urgência, por favor. Se puder enviar por sedex é melhor... o tempo é curto e a paciência praticamente inexiste.
É assim: eu tenho muito guardado. Muitas palavras, muitas raivas, muitas mágoas, muito a devolver que já me atingiu beeeeem no mediastino. É que parece que ultimamente tudo tem vindo de encomendas em forma de patadas e o limite uma hora chega pra pessoa jogar tudo pro alto. Chega, sim."

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A melhor parte do dia

venha pros meu braços,
chorar seus encalços
onde mil beijos teras
e longe de mim nunca mais ficaras

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Eu vi esse comentário num texto de um dos meus sites preferidos que tá linkado aqui como de "utilidade pública". Sinceramente, todo mundo sabe do quanto um Patinho Amarelo é importante no imaginário ocidental.


Valeu a liberação M.F.!!!

Eu sou romântica. Não faça isso comigo. ehehheeh

Pra mim eu vou casar no dia em que eu vou estar mais bonita na minha vida, vou tomar vinho com meu marido ouvindo frank sinatra e glenn miller pelo menos uma vez por mês, vou ficar enjoada dele várias vezes, mas sempre vou achar lindo ele brincando com as crianças, de vez em quando vou pôr uma dose de whisky e paparicar ele bem muito quando ele chegar muito estressado do trabalho e ele vai fazer uma massagem em mim perfeita quando eu for a estressada, eu vou brigar com ele puta na TPM pelo menos umas 8 vezes por ano, e a gt vai ficar entre tapas e beijos um zilhão de vezes, eu vou pensar em trair ele, e vou sentir uma azia mental por isso, a gente vai entrar em crise, e vai sair, pq afinal de contas eu vou saber que ele é o cara que eu amo da vida, uns dias a gente vai acordar insuportável, e encrencar com tudo, e em outros a gente vai acordar botando beatles pra tocar e fazendo um café da manhã desses de gente feliz com uma mesa toda colorida... a gente vai ficar velhinho junto, ainda dançando o Frank Sinatra, e vez por outra quando eu passar pra ir pegar os remédios de pressão ele vai dar um tapa na minha bunda e eu vou pensar "meu deus, eu terminei casada com esse velho tarado!"

Todas as outras coisas que acontecerem, vão ser antes disso. E priu. Nem adianta tentar me convencer que o casamento é uma entidade falida e blablabla... Pra mim isso eh conversa de gente traumatizada, ou mal-amada, ou que tá naquela fase canalha de ser.

Por isso que eu adoro eles.

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Bloco do Eu Sozinho

Tem um blog falecido que eu amo de paixão.
Hoje eu achei, nos arquivos do Bloco do Eu Sozinho, um texto perfeitamente cabível aqui dentro, do meu coração, quanto ao blog. Como plágio é atestado de burrice, eu resolvi transcrever e dar os créditos a quem merece de verdade.


Dois Anos


Eu poderia falar sobre o tratamento contra parasitas intestinais que estou pra iniciar. Poderia escrever sobre a mulher casada que tem embaçado os vidros do carro comigo e até falar sobre as maldades que ela comete contra minha fimose, mas não. São dois anos. Setecentos e trinta dias. Em dois anos dá pra ir e voltar a pé na Bahia. Dá pra escrever uma carta de 6 km, dizendo "Eu te amo" pra Gisele Bündchen ou ter dois filhos e ainda passar 6 meses com a vagina descansando, mas não. Eu passei dois anos escrevendo para um blog.A minha mãe diz que é bobagem. É bobagem, mas eu gosto. Quando fui indicado no Blogger,chamei a incrédula pra ver. Ela pensa que se por uma antena no monitor dá pra ver novela. Ainda continua achando bobagem. Pudera. Mas eu não ligo. Eu ligava pras pessoas que vinham aqui. Hoje não. Hoje conheço várias e várias me conhecem. Perdi o medo de ter minha mente desvendada por vizinhos, parentes e amigos, mas ainda assim odeio o Google.Por dois anos escrevi nesse blog, me apaixonei por 47 pessoas diferentes, embarquei em viagens lícitas e ilícitas e construí um patrimônio avaliado em 15 mil reais. É pouco. Se eu vender tudo não compro um carro. Mas eu já tenho um carro. E tenho também 20 anos. E tenho também rancor dentro do peito. A única coisa que eu não tenho é vontade de escrever um livro.Tenho vontade de escrever um filme. Tenho vontade de relembrar um amor. Por dois anos imaginei se valeria à pena mostrar minha vida desse modo pros outros, mas ela é tão medíocre e sem graça que eu fiz isso só de raiva. A Marina me perguntou de onde vem a vontade de escrever. Esta aí. Escrevo pq não canto. Se cantasse eu não escrevia.

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E aí que os protestos pra o blog ficar estão me dando uma certa vontade de postar... hehehe

E aí que o pc colaborou e eu consegui colocar a enquete.... e aí PODEM VOTAR DE VERDADE!!!!

E tipos que eu fui pra a reunião de departamento da faculdade hoje e me surpreendi com o nível de baixaria dos amados mestres.... E viva o pré-escolar....



AH, as imagens dos livros ali do lado voltam quando Rafael consertar...
heheh

Se vocês eu fosse, aguardaria surpresas em breve, tralalalalala

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Do email


Quando os cearenses dominarem o mundo
Todo mundo sabe que os cearenses estão por toda parte. Em geral, o cearense é aquele sujeito baixinho, cabeça chata, brincalhão, falante, que é o guardador de carro em São Paulo, o chefe de um restaurante na Madison em Nova York, o designer que bolou o logo da Eurocopa em Portugal, ou mesmo um borracheiro no interior da China. O que pouca gente sabe é que, na verdade, isso é uma bem arquitetada jogada que visa plantar gente nossa em postos-chave da administração mundial. Quando estivermos prontos, será deflagrada a grande tomada de poder e meu conselho é que você fique imediatamente amigo ou amante de um cearense, pois sabe como é: pros amigos tudo, pros inimigos, o rigor da lei! Tomaremos o poder a partir de uma senha pré-estabelecida, que só um cearense saberá o significado oculto. Aos berros de 'Queima Raparigal!' as hostes de cabeças-chatas invadirão os parlamentos e palácios, além de todos os jornais e redes de TV do mundo livre. Ninguém desconfiaria que Francisco das Chagas, humilde faxineiro da CNN (futura afiliada da TV Verdes Mares), na verdade, é um professor do ITA que rapidamente conectará a rede de Atlanta para nossos propósitos. Invadiremos e tomaremos o Estado de Pernambuco, vamos dinamitar a nossa refinaria que eles roubaram e vamos construir outra lá no Porto do Pecém; também vamos extinguir os times Náutico, Santa Cruz e Sport Recife (eles nunca fizeram nada mesmo!). Elegeremos um papa cearense, 'Raimundim I', que canonizará Padre Cícero e determinará que, daí por diante, em todas as igrejas católicas, a comunhão será ministrada com uma hóstia feita com macaxeira, farinha, rapadura, alternadamente, ou os três ingredientes juntos. O vinho será uma cachacinha de primeira, misturada com 'Q-SUCO' de uva. Essa simples bula papal fará com que a economia do Ceará dê um salto enorme e sua balança comercial seja mais superavitária ainda. O único problema é achar uma mitra que caiba na cabeça chata do papa, mas nós cearenses sabemos improvisar: Raimundim I usará uma fronha de travesseiro, enquanto se encomenda outra. A literatura de cordel ganhará status de arte maior e 'Clodoaldo Mastrúcio' ganhará o Nobel de Literatura com seu livrinho 'A moça que engravidou do cavalo e a besta da sua mãe'. Nas artes plásticas, as garrafinhas com areia colorida de Canoa Quebrada, os quadros de Xico da Silva e as esculturas de Zé Pinto irão ocupar alas e alas do Louvre. Para arranjar espaço, todas aquelas velharias do Turner vão para o museu do Aracati. A Monalisa fica, pois na avaliação de Serotônio Macêdo, novo curador do museu, ela é uma 'cabôca danada de aprumada'. O novo Secretário Geral da ONU será 'Seu Lunga', que resolverá o conflito Israel/Palestina doando vastas extensões do sertão cearense pros brigões. A ata de doação será concisa e formal. Nas suas palavras: 'Magote de fio d´uma égua, bando de mulambeiros, a terra é seca do mesmo jeito que a d'ocês e o mar é da mesma cor. Deixem de botar boneco que 'ocês' nem vão notar a diferença e o Ceará ainda é maior que aquela tripinha de Gaza'. A famigerada música cearense tomará o mundo. Numa grande revanche histórica, as aberturas das novelas globais terão como trilha sonora os seguintes temas: novela das 06h – Belchior; das 07h - Raimundo Fagner; das 08h - Aviões do Forró. Vamos aperfeiçoar o Oscar. Bolaremos uma categoria que premiará o melhor filme de cangaço, melhor cena de amor numa jangada (pode ser numa rede também), melhor mocotó e melhor buchada. O cruzamento mais famoso do Brasil não mais será 'Ipiranga com Av. São João' e sim 'Barão do Rio Branco com Liberato Barroso' no centro de Fortaleza (com todas as 'meninas' que ela possui). O 'jornal do 10' será transmitido para todo o mundo com a seguinte noticia: *O rodeio será substituído pela vaquejada; Coca-cola pela água de côco; Garota de Ipanema por Garota da Barra do Ceará; Praia de Copacabana por Praia do Futuro; Fla x Flu por Ceará e Fortaleza, Real Madrid por Ferrim; Central Park por Parque do Cocó; As torres gêmeas, que já foram destruídas mesmo, por Palácio do Progresso; As melhores faculdades européias pelo Liceu do Ceará; Demitiremos Gugu Liberato e Faustão e colocaremos em seus lugares João Inácio Jr e Ênio Carlos; Roberto Carlos por Babau do Pandeiro; Funk por Xaxado; Disneylândia por Beach Park; Av. Paulista por Av. Bezerra de Menezes; Canecão por Siará Hall (na Washington Soares é show); Escolas de samba por quadrilhas juninas; Chiclete com banana por Mastruz com Leite. Colocaremos alguns cearenses nas presidências dos principais países como: França - Cid Gomes; Cuba - Inácio Arruda; Argentina - Débora Soft (ela é burra mesmo e eu quero mais é que a Argentina se exploda). A primeira ministra da Inglaterra será Patrícia Gomes. A capital do Brasil será Jeriquaquara. A capital do mundo ainda será Nova York, mas a gente vai rebatizá-la de Nova Quixeramobim e vamos trocar aquela estátua cafona por uma enorme estátua da Índia de Iracema. Yeah! Não vejo como o plano possa falhar, pois cada vez mais nossos agentes se espalham pelo Brasil e pelo mundo todo. Só nos resta esperar, de preferência no fundo de uma rede, enquanto as engrenagens giram por si. Adeus e até a vitória! Como sou modesto, quero para mim apenas um título de nobreza e umas terras anexas, de preferência o município de Caucaia que é vizinho da capital e tem belas praias. Saudações cearenses!!! E que nosso Padim Pade Ciço teja com todos nós!!!!!

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Já não é de hoje que o Caderno Insone não é prioridade na minha rotina. Não é que tenha deixado de escrever, é que ele me tem sido quase desconfortável, ou pior, indiferente.

Sou do tipo que precisa de estímulo diário e retorno. Ando mais imediatista que o hábito e não é o sono recuperado que incomoda aqui, é mais. Vai além. Relendo os arquivos, eu percebi que na verdade, eu não sou mais a moça de noites em claro que escrevia aqui. Pra quem é de casa não é novidade que eu sou comodista. Adoro ficar em casa sem fazer absolutamente coisissima nenhuma. Só pensando.

E ser “flexível” e “tolerante” também não está ajudando. As coisas legais eu incorporo sem problema, as más eu aprendo a conviver. E não faço nada pra mudar.

Só que chega uma hora em que é preciso parar com tudo o que não deveria estar na minha vida, e acredito ser este o momento, que não digo o melhor momento por saber que está mais do que passando da hora, mas é este o meu momento.

A minha idéia do concurso era fazer com que eu me enchesse de novo ânimo pra postar, não deu muito certo e eu não sabia ao certo a razão disso. A verdade é que o Caderno foi ótimo de fazer, mas não me traz a mesma alegria de antes.

Eu andava arquitetando um novo blog com a minha nova vida. Depois eu faço.

Sobre o concurso:

Seguinte, alguém achou que cortar o CPMF era legal e eu estou a dois meses sem bolsa do estágio, portanto, eu não tenho capital pra pagar o premio. Vão por mim, ninguém ficou mais triste do que eu e essa é uma das principais razões para as férias do blog.

Abaixo seguem os autores dos textos publicados.

De qualquer modo, parabéns aos vencedores.

A Última Ceia – Maurício Eder

De Como Sentir é Difícil – Amélia Carolina

O Bêbado e o Mendigo – Yuri Vidal Corrêa

A Casa da Bruxa – Letícia

A Carteira – Rafael “Sisto Sexto” Espindola

A Chá – Séfora Magalhães

Os Gatos de Madame M. – Mário Gerson

Um Homem Atormentado – Marcos Bonilha

A História de Nadamundo – Cícero Neto

O Encontro – Leilane Andrade

Não vou mais postar os outros, mas vou pôr em votação pra que vocês escolham o melhor pra que ganhe os devidos parabéns.





EDIT: votação nos comentários pq a minha maravilha de pc não deixa incluir nada.


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Bah

 

Cansada de blog.

Cansada MESMO de blog.

Blog de férias indefinidamente após o concurso.

Talvez volte.

Talvez não.

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Texto 9

O Encontro




O dia amanheceu diferente. O céu estava limpo e o sol estava mais claro, mais quente. Poderia ser até impressão, mas a meu ver a manhã estava ainda mais bonita e límpida. Talvez fosse porque aquele seria o grande dia. Finalmente, depois de meses conversando pela internet, trocando nada mais do que palavras, eu iria conhecê-lo.

Cada vez que eu lembrava do encontro, um turbilhão de borboletas invadia meu estomago e tudo ficava embrulhado. As mãos sempre ligeiramente trêmulas. As sandálias escorregavam por causa do suor nos pés. Imagens distorcidas, palavras que poderão ser ditas, decepção, felicidade, seria ele o cara que iria me fazer desencalhar? Tudo de uma vez passava pela minha cabeça em todo instante.

A hora se aproximava. Shopping, às 15h. Por que será que ele escolheu esse horário? Ou fui eu? Ah, deve ser por causa do cineminha às 16h. Será que iríamos pegar o filme mesmo? E se eu não gostasse dele? E se ele não gostasse de mim?? 13h. Hora de se arrumar. Não, não. É cedo. Mulher nunca chega antes num encontro, jamais deve esperar o rapaz, deve ser sempre o contrário. Além disso, se ele chegar depois de mim vai pensar que eu estou desesperada! Isso não! Ele não pode pensar isso!

Duas semanas antes já havia escolhido a roupa do encontro. Uma saia tamanho médio, pois curta demais iria indicar vulgaridade. Sandálias com saltinho básico, nada muito alto. Ele disse que era baixo e não vou querer que na hora do abraço ele fique com a cabeça nos meus seios (rsrs). A blusa com decote em “v” para valorizar ainda mais meu busto. Pronto, está chegando a hora. Olho no espelho e o resultado já era esperado: linda, esplendorosa, espetacular, maravilhosa! Ao ataque!

Depois de horas e horas na internet conversando, trocando fotos, juras secretas, o grande dia havia chegado. Acho que aquele ali é ele, vem se aproximando. Bem, um pouco mais baixo do que pensei, mas dá pro gasto. Ah que sorriso fofo, que olhar sincero! Nos abraçamos (E que abraço!) e nos apresentamos um pouco rápido demais até.

Papo vai, papo vem, percebo seu nervosismo, ao andarmos ele batia de leve em mim com o braço, igual a bêbado, pra lá e pra cá. Já tinha me certificado de que ele não tem as pernas tortas, por isso imaginei que fosse a emoção do momento. Sentamos numa lanchonete para tomar um suco. Conversamos bastante, apesar de ainda estarmos um pouco retraídos.

Tudo transcorria bem, eu gostava mais ainda dele e sentia que o sentimento era recíproco. Ele chama para irmos ver um filme. Adoro a idéia (Claro! No escurinho sempre rola algo). Ele compra minha entrada e entramos juntos na sala de cinema. O filme? Bem, não lembro nadinha dele, mas a tarde foi maravilhosa e na saída já marcamos o próximo encontro.

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Texto 10

A Casa da Bruxa


Já tinha ouvido falar que aquele prédio era mal-assombrado, mas nunca acreditei nas lendas urbanas que eram contadas. Era um colégio de freiras, que eram muito rígidas com os alunos. Talvez daí tivessem surgido tantas histórias sobre aquele colégio.

Aos dez anos ouvi falar que havia uma loira no banheiro. Diziam se tratar de uma mulher que foi assassinada e que aparecia no banheiro caçando suas vítimas. Aos doze anos ouvi falar que a estátua da fundadora do colégio se mexia. Alguns diziam que ela piscava, outros diziam que ela mexia o pé e havia ainda os que contavam já ter visto a estátua chorar.

Mas foi aos catorze anos que conheci o que os alunos mais velhos chamavam de "a casa da bruxa". Era uma casinha de madeira que ficava escondida no bosque. Da casa era possível ver a quadra poliesportiva e os quiosques em volta, mas de nenhum desses lugares é possível ver a casa.

Eu estava no meio da oitava série quando ouvi a história pela primeira vez. Diziam que lá habitava uma velha de cabelos longos e brancos, toda enrugada e curvada, que saía de tempos em tempos para assustar as crianças que teimavam em pisar em suas flores para olhar para dentro da casa e saber o que havia lá dentro.

O bedel dizia para as crianças que a história não passava de uma lenda, mas pedia para que elas não se aproximassem da casa. Era, afinal, apenas um depósito de ferramentas.

Num belo dia ensolarado, minhas três amigas inseparáveis e eu resolvemos entrar no bosque. Pegamos um copo e umas folhas de papel e fomos brincar de invocar espíritos, mesmo não acreditando na brincadeira. Estávamos concentradas, esperando algum espírito se comunicar conosco, até que, de repente, ouvimos um grito vindo da casa da bruxa.

Corremos para lá para ver o que aconteceu. Ficamos olhando de longe, sem pisar nas flores que rodeavam a casa. Não havia nada. Maria Aparecida, uma das amigas, resolveu saber de uma vez por todas o que havia lá dentro. Pulou as flores sem pisá-las e se aproximou da porta.

Nós, que ficamos longe, não nos atrevemos a chegar tão perto, mas a curiosidade era tanta que não nos mexíamos. De repente, Maria Aparecida encostou a mão na porta de madeira já envelhecida e a empurrou bem devagar. Não se via nada. Tudo era escuridão. No momento em que ela enfiou a cabeça por entre o vão da porta, eu olhei para as minhas amigas e saímos as três correndo apavoradas.

Eu não cheguei a ver nada, só a escuridão. No dia seguinte, Maria Aparecida não foi à escola. Estranhamos, já que se tratava de uma aluna assídua. Liguei para ela assim que cheguei em casa, mas o que ouvi foi uma mensagem gravada dizendo que aquele telefone não existia.

Na manhã subseqüente, fomos avisados pela diretora da escola que a aluna Maria Aparecida havia sido transferida de colégio. Minhas amigas e eu fizemos um pacto de nunca revelar o que aconteceu naquele dia na casa da bruxa. A verdade é que não só nunca mais tocamos no assunto, como nunca mais nos falamos.

Bem, eu cresci, naquele fim de ano mudei de colégio e nunca mais voltei lá. Aliás, nunca mais falei com ninguém de lá e não tive mais notícias das minhas amigas. De vez em quando tenho alguns pesadelos com o colégio, mas não com o bosque ou a casa da bruxa, mas com os corredores pintados de verde e o elevador medieval que funcionava com uma alavanca.

Um dia desses eu voltava da aula de inglês e resolvi mudar de caminho, passando em frente ao colégio. Parei de frente para o portão principal e fiquei olhando lá para dentro. Não pude deixar de ouvir algumas crianças conversando. Estavam contando histórias de terror. Contavam todas aquelas lendas urbanas que eu ouvira quando tinha sua idade. Uma delas então se levantou e começou a contar uma história sobre a casa da bruxa.

Dei uma risadinha discreta e continuei ouvindo a garotinha contar sua história. Devo ter ficado branca ao ouvir o final da história. A história não terminava com a bruxa que assustava as criancinhas, mas com uma menina que entrou na casa e desapareceu. À noite, disse a menina que contava a história, é possível ouvir o choro da garota que ficou presa dentro da casa da bruxa. Ela chora porque está procurando pelas amigas que saíram correndo, abandonando-a naquele bosque. As outras garotas ficaram de cabelo em pé, mas não tanto quanto eu ao ouvir a garotinha fechar a história dizendo: "diz a lenda que duas já se foram. Agora, só falta uma."

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